Não há explicação para o gesto
Ele é doce, suave
Tem ares do bailar
Como explicar o olhar
Tão vasto, tão casto
Infinitas flores na janela
Que rompem a brilhar
Nos indícios do corpo
O trôpego balanço
Singelo, quase invisível
Leves ondas ao mar
O ritmo intenso
Marcado, profundo
Se ausenta às vezes
Pra logo escancarar
São tantos detalhes
Pequenas promessas, imersas
Segredos de oráculos
Que desfiam o destino
Retomando outro caminhar
Tudo aquilo que emana
Sem pressa, nas frestas
Palavras incertas, cores e odores
O tempo garante o encanto
E imprime a beleza no ar.
O que sinto é simples e claro
Tal qual a luz do luar
Mas as palavras, cansadas, se perdem
E a poesia então me salva
Do inefável ato de explicar
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