domingo, 23 de maio de 2010

Nova paisagem, primeiras impressões











Era uma tarde fresca de outono. Eu caminhava pelas ladeiras sinuosas da Estrada de Taipas, olhando por todos os lados e observando cada encosta com suas matas verdes que cobriam a grande montanha do Pico do Jaraguá. A linha do trem passa lá embaixo, e sobre ela há uma ponte de ferro antiga e preservada, de cor cobre, que brilha sob a luz do sol quente. Caminhei quase quarenta minutos nessa paisagem nova e impactante para meus olhos que miravam qualquer alvo. Havia algo de estranho naquela nova paisagem, que se misturava com uma certa expectativa. O novo é sempre entusiasmante...

Então me deparei com a escola gigantesca, ocupando todo o imenso quarteirão, numa descida íngreme que culminava com a praça de frente para a Arábia. Por todos os lados eu estava cercada pelo City Jaraguá, onde vários prédios, não muito altos, espalhavam-se pelas encostas dos morros. O clima fresco e o vento cortante deixavam a tarde mais fria ali do que no centro de São Paulo; ainda bem que eu levara uma blusa na mochila. A paisagem era mesmo bonita de se olhar: aquela ocupação humana, mesmo que precária, tomava contornos fortes no espaço e se instalava com suntuosidade naquela região.

Por dentro a escola tem uma pátio espaçoso, que fica pequeno com todas as crianças no recreio. Ali fica também a cozinha, onde as crianças recebem a merenda, e num outro canto estão os banheiros e o corredor com as salas da secretaria e da diretora. Foi nesta última que fiquei tratando de minha posse e me preparando para entrar de vez na sala de aula. Eu não pensava, até aquele momento, que eu iria de fato dar minhas primeiras aulas logo de imediato. Muito menos imaginei o impacto que eu iria sentir quando me coloquei diante dos alunos, olhando-os de frente e aguardando, durante um bom tempo, que eles me escutassem. Descobri então o primeiro grande desafio do magistério: era preciso, antes de tudo, ser ouvida.