segunda-feira, 12 de março de 2018


Dia da mulher

Somos tantas
Que nascem
Que parem
Povoado mundo
Somos santas
Que imaginam
Que glorificam
Modelos inalcançáveis
Somos quantas
Que culpam
Que julgam
Vidas incendiadas
Somos homens
Que lutam
Que buscam
Terra prometida
Somos mulheres
Que sangram
Que gritam
Dores ancestrais
Somos corpos
Que dançam
Que cantam
Alegres suspiros
Somos nós
Que vivemos
Sobrevivemos
E sabemos
O que é ser mulher


domingo, 6 de março de 2016

Inexplicável

Não há explicação para o gesto
Ele é doce, suave
Tem ares do bailar

Como explicar o olhar
Tão vasto, tão casto
Infinitas flores na janela
Que rompem a brilhar

Nos indícios do corpo
O trôpego balanço
Singelo, quase invisível
Leves ondas ao mar

O ritmo intenso
Marcado, profundo
Se ausenta às vezes
Pra logo escancarar

São tantos detalhes
Pequenas promessas, imersas
Segredos de oráculos
Que desfiam o destino
Retomando outro caminhar

Tudo aquilo que emana
Sem pressa, nas frestas
Palavras incertas, cores e odores
O tempo garante o encanto
E imprime a beleza no ar.

O que sinto é simples e claro
Tal qual a luz do luar
Mas as palavras, cansadas, se perdem
E a poesia então me salva
Do inefável ato de explicar

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Pele em flor

Seus próprios traços
ela quis imprimir
os contornos exatos
queimando na pele
um sonho de jardim

As flores são altivas
esparramando-se pelas costas
os traços se espalham
como uma dança
invisível à mostra

Isento de cores
o desenho se ilumina
brilham seus desejos
que ecoam no corpo
tomando formas coloridas

A imagem se fixa
numa leve movimentação
quase nem se imagina
que ali escondida
descansa uma revolução

sábado, 20 de junho de 2015

Pensamentos imperfeitos

Estavas comigo
numa vasta emoção,
despertando os sentidos,
procurando um abrigo
em meio à multidão.
Pensamentos imperfeitos
cheios de desejos
atingiram meu coração.
Acordei sorrindo
relembrando cada instante
dessa doce ilusão.

Tempo de amar

Eu era sombra,
breu da angústia, 
vil tormento.
Daí um vento,
palavra e gesto,
teu olhar.
Que tudo toca,
ferida aberta,
na hora certa
de cicatrizar.
O desencanto
demorou tanto
para findar.
Agora a paixão nasce,
sem pressa ou prece
no preciso tempo de amar.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Um instante de memória


Quando penso que estou sozinho, olho para a rua e vejo aquelas mesmas pessoas da minha infância. Não entendo como elas conseguem fazer as mesmas coisas que faziam quando eram crianças: jogar bola, empinar pipa, brincar de esconde-esconde, tocar a campainha e sair correndo.  Será que elas não cresceram?
Eu demorei pra perceber que aquela vida só era válida na minha infância. Agora só faço isso quando brinco com meus filhos. Ensino a eles cada brincadeira como se fosse eu mesmo, e sinto uma saudade daquele tempo que não volta mais.  Quando eles crescerem, sentirão a mesma saudade? Não sei, quem saberá?

domingo, 8 de julho de 2012

Retomada

Retomo a escrita:
desejo o sopro da palavra
quero a alma temperada
aquecendo o coração.